Qual o momento adequado para preparar a sucessão?

Em um de nossos textos, falamos sobre as dificuldades de demonstrar ao fundador que ele deve, em algum momento, abrir caminho para os sucessores. Apresentamos uma pesquisa demonstrando que 15% dos empresários entrevistados deixariam os negócios apenas com 80 a 90 anos. Por que os empresários resistem tanto à transição da liderança em suas empresas? E qual o momento de preparar a sucessão?

A ideia de pensar na sucessão do controle da sociedade familiar apenas com a retirada do fundador ou de sua morte é totalmente errada. A sucessão deve ser tratada enquanto o fundador estiver no apogeu de sua carreira, para que ele possa trabalhar junto com seus sucessores. Assim, quando chegar o momento de passar o bastão, a família estará preparada para a sucessão, que será realizada sem traumas, pois, cada um dos familiares cumprirá seu papel dentro de um plano anteriormente desenhado e discutido entre todos.

Deve-se ter em mente que o processo sucessório não é realizado do dia para a noite, pelo contrário, é um processo longo e exaustivo de preparação e transição, com uma série de estágios.

Não há um modelo pronto à ser usado. Cada família e cada empresa tem perfil e cultura própria, não existindo uma “receita de bolo” pronta, pois, o negócio familiar deve ser sempre pensado como ente composto por pessoas, com desejos e limitações, diferentes que são uma das outras, o que também torna as empresa diferentes uma das outras. O processo de sucessão deve ser planejado, pois, não nasce do dia para a noite. Há etapas que precisam ser respeitadas e planejadas, visando estabelecer regras claras que poderão ser invocadas em cada um dos estágios/momentos. E é nessa ideia que deve ser pensado o planejamento sucessório, racionalizando a estrutura sucessória, de gestão e da propriedade.         

A falta de planejamento pode resultar em desordem e disputas com reflexos terríveis sobre as empresas. Inúmeros são os casos de empresas que saíram mais fracas do processo sucessório, após a morte de seu fundador. Muitas nem sobrevivem, indo à falência ou tornando-se inviáveis ao ponto de terem suas atividades encerradas pelos sucessores.

* Angelo Antonio Picolo. Mestre em Direito Comercial pela USP. Advogado. Sócio do escritório Durvalino Picolo Advogados Associados